segunda-feira, 28 de maio de 2018

Conhecendo o Dreamcast em 2018


Antes do Dreamcast.

Entre 1996 e 1999 os games estavam em alta no Brasil e na minha região os jogos piratas do Playstation finalmente trouxeram a oportunidade dos jogadores terem uma biblioteca de games em casa, os jogos multiplayer do Nintendo 64 traziam diversão para até quatro jogadores simultâneos com Goldeneye 007, Mario Party, Mario Kart 64, Smash Bros entre outros e de várias categorias, as Lan-houses estavam começando a ficarem popular com um preço mais acessível e com o multiplayer mais insano que já tinha visto na época com mais de 10 jogadores no mesmo local graças ao Counter Strike e as locadoras tinham muitos jogos e aparelhos para serem alugados ou jogados por hora.

E o Sega Saturn...

O Saturn nunca foi muito famoso no Brasil por vários motivos e nossas jogatinas com o Mega Drive estavam aos poucos se tornando apenas memórias enquanto muitos aparelhos estavam indo parar no fundo do armário porque na maioria dos lares gamers o Playstation ou Nintendo 64 dividia a TV da sala junto com o vídeo-cassete ou para os mais sortudos com o novíssimo aparelho de DVD. Nesta época para se jogar algum jogo da Sega você tinha que ter o aparelho da própria empresa e como era difícil conhecer alguém com um Saturn ou alguma locadora com o aparelho para se jogar por hora criou-se uma lacuna de jogos da Sega para mim nesta época.

Enquanto isso nas revistas.

Nas revistas de games o que mais se falava era sobre o novo console da Sega, o poderoso Dreamcast. Desde suas especulações técnicas, sua nova mídia o GD-ROM e codi-nomes como Dural e Katana, eu e meus amigos ficávamos ansiosos pra poder um dia jogar no novo console que traria novos jogos desta fantástica empresa. Fotos do novo jogo do Sonic agora em 3D com gráficos semelhantes aos jogos de computador da época, com gráficos polidos e brilhantes bem diferentes do famoso concorrente Playstation, quatro entradas de controle que já animava os fãs do multiplayer do N64, o VMU que seria seu memory card com tela LCD que rodava minigames e até um modem para jogar pela internet com um sistema em parceria com a Microsoft, agora sim a Sega parecia ter colocado as vantagens necessárias para enfrentar sua concorrência, era o que eu pensava.


Revistas como Ação Games e Super Game Power mostravam imagens de jogos que sairiam no lançamento, jogos como Sonic Adventure, D2 e Godzilla. As fotos eram impressionantes, uma matéria da Ação Games mostrava o poder gráfico do aparelho ao brincar com o rosto digitalizado do presidente da Sega na época, Shoichiro Irimajiri, no melhor estilo da abertura de Super Mario 64 onde você brincava com a cara do protagonista, só que com gráficos de ultima geração. Isso tudo era de se maravilhar ainda mais para mim que acompanhava a evolução dos games desde o Atari 2600.
Acompanhei o Dreamcast somente pelas revistas, tanto é que em 2001 a Ação Games anunciava o fim da produção do aparelho com uma fúnebre foto dele sendo enterrado junto com seus concorrentes, fiquei com o coração partido, pois ele nasceu depois de seus concorrentes e teve seu fim anunciado antes deles e mais tarde ficaria sabendo que seria o ultimo console da poderosa Sega que junto com a TecToy dominou o mercado Brasileiro no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, outra era estava começando.

Primeiro Contato.

Lançado em Outubro de 1999 aqui no Brasil e considerado um sucesso de vendas nos EUA e Japão, eu o vi pela primeira vez em Dezembro do mesmo ano na locadora onde eu alugava jogos de Nintendo 64 e comprava jogos piratas de Playstation. Na prateleira ao fundo estava o poderoso console de 128bit da Sega em sua caixa e com um preço exorbitante. Não seria neste ano que eu jogaria num console os gráficos de jogos de PC. Em 1999 o Dreamcast já tinha títulos que eu gostaria de jogar como Quake 3, Unreal Tournament, Mortal Kombat Gold, Shenmue, Power Stone, Re-Volt entre outros que deixavam os gráficos do Playstation e N64 no chinelo pelo que eu via nas revistas. Na época por eu ser jovem eu realmente me importava com a evolução dos gráficos, o porquê disso hoje em dia eu não sei responder, pois eu abandonei esse habito e hoje eu curto mais jogos retrôs.

Aquisição do aparelho.

Em Abril de 2016 meu amigo Gabriel Fuentes, a.k.a MiracleMan, meu deu seu Dreamcast de presente. Ele que vive na Argentina e trouxe o aparelho ao Brasil em uma viagem para visitar seus sogros brasileiros e sou grato eternamente a ele porque finalmente pude colocar as mãos no tão sonhado console de 128bit da Sega pela primeira vez. Ele me enviou o console com cabo AV e cabo de força, infelizmente o cabo AV não funcionava mais. Em Março de 2018 finalmente consegui comprar o cabo AV, um VMU lacrado e um controle bem usado e joguei pela primeira vez. O jogo escolhido foi Vigilante 8 Second Offense, que eu comprei em 2016 da França, bem antes de ganhar o Dreamcast porque estava muito barato em um leilão no Ebay, muito barato mesmo, creio que foram apenas R$18,00 ou R$28,00 com frete.

A primeira impressão.

Sem segredo nenhum, o aparelho ligou e pediu para colocar o horário certo, sua bateria interna deve ter parado de funcionar e terei que comprar uma nova, nada que atrapalhe ele de rodar jogo.
Tudo muito intuitivo suas opções e ícones, preferi colocá-lo me inglês pois estava em espanhol. Coloquei o jogo e parti para jogatina. Não sei se isso é um dom, mas eu consigo pegar um jogo antigo e jogá-lo com o mesmo olhar de quando ele foi lançado e ver sua beleza e defeitos como se estivesse nos anos 90 ainda. Primeiro eu fiquei surpreso de ver um dos meus jogos favoritos (Vigilante 8) em sua segunda edição pela primeira vez, segundo que os gráficos comparados com o primeiro jogo para PS1 e N64 eram 10x melhores, gostaria muito de ter jogado isso na época. O jogo é sensacional mesmo para 2018, os controles respondem muito bem como era no PS1 que eu era mais acostumado e ainda lembro alguns ataques especiais das armas que se encontram nas fases. Ao salvar o jogo eu tinha esquecido o VMU conectado ao controle e achei simplesmente demais ele apitar após salvar e ainda mostrar o logo do jogo em seu visor, muito carismático. Eu não assustei com o estranho barulho do leitor do Dreamcast, pois vi muitos vídeos sobre o aparelho e já sabia que ele iria ler os discos de forma violenta, mas é menos do que imaginava. O controle é bem interessante, admito preferir a posição do analógico igual do controle do PS1, mas isso não atrapalhou em nada eu jogar pelo D-Pad do Dreamcast (para se fazer os comandos das armas o D-Pad é muito melhor que o analógico).

Planos para o futuro.

Planejo aos poucos comprar mais três controles para a jogatina com meus amigos. Temos um clube de jogos e sempre pegamos um sábado do mês para nos reunimos para jogar games retrôs. Fiz uma lista de jogos que pretendo comprar em mídia original, todos multiplayer, alguns exemplos são:
-Marvel VS Capcom 2
-ChuChu Rocket
-Spawn In the Demon’s Hand
-Gauntlet Legends
-Sega Rally 2
-Power Stone 2

Este jogador retrô aqui está muito animado com o ultimo console da Sega e pretendo jogar o máximo possível com seus amigos e nunca me esquecerei da gentileza de um amigo do país vizinho que mostrou que ainda existem generosidade e camaradagem neste mundo moderno e online.




















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